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Cirurgia rápida cura

Operação que dura só 40 minutos elimina hiperidrose
Jornal Agora São Paulo / 20 de janeiro de 2003

Por Fábio Grellet

Já pensou suar tanto nas mãos a ponto de borrar as folhas de papel, durante uma prova escrita? Ou suor nos pés a ponto de não poder usar chinelos – que, molhados voam dos pés?
Parece cena de desenho animado, mas para uma em cada cem pessoas isso é real e não tem graça nenhuma. São as vítimas da hiperidrose, doença caracterizada pelo excesso de suor, que se manifesta mesmo em ambientes frios e se agrava conforme a pessoa fica mais nervos.
“As pessoas morrem de vergonha e até mudam sua rotina, deixando de praticar certas atividades, para evitar o constrangimento”, conta o cirurgião torácico José Ribas Milanez, 47 anos, da Clínica do Suor, que funciona no hospital Albert Einstein. Ele atende cerca de 80 casos de hiperidrose por mês.
Para evitar tantos transtornos, basta uma cirurgia que dura pouco mais de meia hora. “O problema é que mesmo entre médicos, a operação é pouco conhecida. Por isso eles acabam tentando tratar com remédios que não fazem efeito nenhum”.
São Comuns as tentativas de combater o excesso de suor com cremes, desodorantes antiperspirantes, aplicação de botox e até aparelhos de dão choque. Mas o efeito é sempre temporário. “As aplicações de botos resolvem por seis meses, mas são muito doloridas”, conta Milanez. Para combater o excesso de suor nas mãos, por exemplo, é necessário aplicar 36 injeções em cada uma.
A cirurgia já foi trabalhosa e dolorida, mas há dez anos está mais simples. “Antes era preciso um corte de seis a oito centímetros na clavícula e a cirurgia demorava até cinco horas”, recorda o médico.
Hoje, o paciente chega ao hospital poucas horas antes da cirurgia e muitas vezes não chega a permanecer internado normais de um dia. São necessários dois cortes de meio centímetro cada.
Durante a operação, é retirada uma parte da cadeia simpática – uma porção do sistema nervoso autônomo, aquele que causa reações impossíveis de controlar, como as batidas do coração ou a transpiração. O problema acaba imediatamente após a retirada desse segmento. Antes de fazer a cirurgia, o paciente é submetido a exames ´para verificar se é mesmo caso de operação.
“Todo mês examinamos cerca de 2.000 pessoas, mas só cerca de 500 chegam a ser operados”, conta Milanez.
Os demais são encaminhados para outros especialistas, como endocrinologistas, psiquiatras ou dermatologistas.
Para avaliar a necessidade da operação, basta consultar um cirurgião torácico ou vascular.